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Mini quê? Mini Paceman

Mini quê? Mini Paceman

A Mini ostenta com orgulho a aura de diferenciação, irreverência e atrevimento a que correspondem os modelos da sua gama, não sendo à toa que uma das suas taglines de comunicação seja “Not Normal”. Mas será isso assim tão verdade? É que já não há nada de incomum em cruzarmo-nos na estrada com um destes petizes anglo-germânicos.

Mas, com um Paceman? Isso sim, não é normal, mas resta saber o porquê…

 O Mini Paceman foi lançando no mercado nacional em 2013, ocupando um lugar intermédio na gama entre o Mini “convencional” e o Countryman, sendo este último o principal dador genético do Paceman.

Em 2015, o autodenominado Sport Activity Coupé da marca, foi alvo de algumas mas subtis alterações, essencialmente ao nível de equipamento disponibilizado.

Ao contrário da restante gama fabricada em terras de sua Majestade, o Countryman e o Paceman são construídos lado-a-lado na fábrica austríaca da Magna-Steyer e partilham um grande número de componentes. Contudo, estes irmãos nunca foram verdadeiramente amados da mesma forma, especialmente pelo mercado.

 

Face ao mano mais velho, o Paceman herdou praticamente tudo, como a plataforma, as motorizações, a carroçaria (até certa medida) e o estilo interior. De fora ficaram as 2 portas para os passageiros, o lugar intermédio do banco traseiro, praticalidade de utilização e qualquer vestígio de racionalidade que poderia justificar a sua compra, até porque nem o preço ajudava, dado ser mais caro que o Countryman!

Mas o coração tem razões que a própria razão desconhece e o Paceman é assumidamente uma escolha puramente emocional que tem na mira consumidores que nem sempre gostam de ter os pés-assentes-na-terra e que se podem dar a esse “luxo”.

Exterior

É principalmente nas linhas exteriores que reside o factor diferenciador do Paceman. Por outras palavras, o chamado “vai ou racha”. Há quem adore, há quem odeie. O efeito polarizador não encontra intermédio, sendo a traseira a principal culpada, até porque a 1ª metade do Paceman é assumidamente decalcada do popular e consensual Countryman.

Na outra metade, a linha descendende do tejadilho assume um papel de destaque, imprimindo uma vertente dinâmica e, de alguma forma, desportiva, graças aos traços que nos remetem para o formato coupé, muito ajudado por uma ampla superfície vidrada em tom escuro fumado que camufla os pilares B e C.

A complementar o look, destaque para a linha de cintura larga e robusta que se prolonga até aos “bojudos” farolins horizontais traseiros e as cavas das rodas que sobressaem da carroçaria, delineadas por um friso em plástico bastante generoso.

Na traseira e com certeza feitos a pensar no Mr. Magoo, o gigantesco símbolo da Mini que é também manípulo de abertura da bagageira e a inscrição que vai de ponta-a-ponta do portão com o lettering identificativo do modelo que se lê a quilómetros de distância.

Interior

Se conhece o Countryman, pode saltar esta parte. É tudo importado de lá. Os traços são inconfundivelmente Mini, com a já tradicional dupla manometros a dividirem-se entre o conta-rotações acima do volante e o relógio de parede…perdão, o velocímetro no topo do painel central. Ambos possuem um mostrador digital com funções associadas aos menus.

O amplo tablier é feito num material macio e maleável, bastante agradável ao toque, que se prolonga à metade superior das portas. De resto, o plástico é recurso predominantemente utilizado, com presença mais evidente nas proeminentes saídas de ar da climatização, que nesta versão surgem com aros em preto mate, mas também ao longo do painel painel central, com diversas aplicações em cromado nos principais botões.

O volante de 3 braços em couro não é o supra sumo da ergonomia, sendo um pouco escanzeladinho na área da pega, mas tem um design catita e inclui os habituais comandos de rádio, telefone e cruise control. Para além disso, tem regulação em altura e profundidade.

E já que estamos ao volante, falemos da posição de condução, que no Paceman é até algo sobranceira, não só porque a altura ao solo é mais elevada que a de um Mini convencional, mas porque também o banco está colocado num patamar mais elevado que o habitual, estando a linha de visão bastante acima do volante, o que conjugado com um pára-brisas amplo e um pilar A pouco intrusivo, contribui para uma vista desafogada para o asfalto.

Os bancos são um misto de tecido e pele, com afinações manuais, sendo apenas razoáveis em termos de conforto proporcionado e com alguma falta de apoio lateral, o que pode ser uma desvantagem numa condução mais espirituosa, mas uma vantagem no entra e sai do dia-a-dia.

Espaços para arrumos não faltam, com uma abertura generosa nas forras das portas, dois porta-copos junto da manete de velocidades, um apoio de braço basculante, uma rede elástica nos pés do passageiro, um porta-luvas amplo e até um estojo “mimosinho” para os óculos que pode levar consigo.

Atrás, graças à filosofia 2+2, temos como seria de esperar, apenas 2 lugares individuais, separados por uma calha em alumínio onde é possível fixar add-ons como porta-copos, suporte de telemóveis,… .

E se pensa que estes bancos são só para a fotografia, desengane-se. Tem espaço que chegue para as pernas e largura para os mais corpulentos. Não convém é serem muito altos, por isso, boleias só para menores de 1,75m.

Motor & Performance

Em tempos, a gama Mini recorreu a motores Toyota e PSA (Peugeot-Citroën), mas este que aqui anima o Cooper D é o 4 cilindros com 1.6 de origem BMW, dotado com 112cv e 270nm. Na oferta diesel, existe ainda o Cooper SD (2.0 e 143cv) e nos a gasolina, o Cooper (122cv) o Cooper S (184cv) e o enfant terrible John Cooper Works (218cv).

Na prática, é um motor desenvolto o suficiente para fazer mover os mais de 1400kg sem grande dificuldade, seja em cidade como em trajectos mais longos. É a partir das 1800rpm que ganha alma, sendo notória a entrada do turbo em acção, especialmente entre 1ª e 3ª velocidade.

As recuperações são modestas e seria talvez nesses momentos que gostaríamos que debaixo do capot estivesse o mais vitaminado Cooper SD.

Ainda assim, o Cooper D chega para as encomendas, algo para o qual a caixa manual de 6 velocidades contribui, graças a um escalonamento acertado para as suas vocações e uma 6ª velocidade mais virada para longas tiradas.

Em relação aos consumos, conte com médias reais entre 6,0-6,5l/100 numa utilização quotidiana em cidade, sendo possível reduzir para os 5,0l/100 com alguma contenção na utilização do acelerador e passagens de caixa mais cedo.

Comportamento & Conforto

O feeling “go-kart” tão apregoado pela marca foi também aplicado ao Paceman, que mesmo não tendo pretensões desportivas, até que nem se safa nada mal. A direcção é responsiva e dá algum feedback ao condutor sobre aquilo que as rodas estão a fazer, permitindo-nos perceber eventuais limites de aderência e corrigir qualquer excesso.

Com uma altura ao solo situada entre a de um utilitário e a de um SUV, nas curvas só não se sente mais o adornar da carroçaria graças à suspensão com um amortecimento propositadamente mais firme e sólido face ao Countryman, que no reverso da medalha tem influência no dia-a-dia, onde por vezes gostaríamos que tivesse mais piedade e perdoasse a inoperância da Estradas de Portugal.

Claro que as jantes de 18” e os pneus de baixo perfil runflat não facilitam, mas ainda assim, um pouco menos de dureza não lhe ficava mal.

A insonorização do habitáculo merecia mais algum esmero por parte dos técnicos bávaros, sendo o ruído de rolamento e o trabalhar do motor algo perceptíveis, particularmente naquela faixa de velocidade a partir do qual se torna um alvo apetecível dos radares.

Conclusão

O Paceman é daqueles automóveis que, a nível lógico, são difíceis de justificar, mas que fazem todo o sentido quando não queremos ser apenas mais um na estrada. Tem associado a si a imagem de irreverência Mini, o appeal desportivo, o glamour urban-chic e alguma vertente de praticidade, sobretudo ao nível da mala, acrescida face ao Mini convencional.

Se isto chega para convencer todos? Não. E isso é mau? Não.

Avaliação do Usado – The Car Adviser

Marca: Mini
Modelo: Paceman Cooper D
Quilómetros: 86.000km
Ano: 2013

Exterior
Pontuação The Car Adviser – 8/10

Não tivessem as matrículas a menção para o ano de registo e arriscariamo-nos a dizer que se tratava de um modelo mais recente. Sem quaisquer danos visíveis ao nível da chapa, com os plásticos e borrachas em excelente condição. As jantes apresentam-se em muito bom estado e os pneus têm ainda bastante rasto disponível, especialmente os do eixo dianteiro.

No conjunto, gostámos do resultado da combinação branco e preto (grelha frente, espelhos e tejadilho) a par das jantes 18.

Interior
Pontuação The Car Adviser – 9/10

Certamente muito bem mantido, pois não são visíveis quaisquer marcas de utilização ou desgaste, mesmo onde seria expectável que existisse, como nas soleiras das portas, tapetes e botões. Só detectámos alguns mínimos ruídos parasitas, mas daqueles que só incomodam quem tem ouvido tísico.

Equipamento
Pontuação The Car Adviser – 7/10

Para ser perfeito, só lhe falta os bancos em pele e o sistema de navegação. E se é adepto disso, a caixa automática e a tração às quatro 4All. De resto, até vem bem equipado, sendo exemplo disso os faróis bi-xénon, jante 18, bluetooth p/ telemóvel, usb, cd, cruise control, sensor de chuva+luz, modo Sport e sensores de estacionamento.

 

Mini Paceman Cooper D (R61) – 2013

Preço NOVO (versão base)

28.500€

Preço NOVO (versão ensaiada)

34.700€

Preço USADO (versão ensaiada)

20.300€

Dados Técnicos do Fabricante

Combustível

Gasóleo

Nº Cilindros

4

Cilindrada

1598 cm.

Potência

112cv (82kW)

Caixa de Velocidades

Manual 6 Velocidades

Aceleração 0-100

10,8 seg

Velocidade Máx.

190 km/h

Tracção

Dianteira

Consumo Combustível

Urbano

4,9 l/100

Extra-Urbano

4,1 l/100

 

Miguel Costa 

#thecaradviser

About the Author

Sou consultor automóvel e piloto de testes para muitos dos Ensaios TCA. Pelas minhas mãos já passaram muitas máquinas, por isso contacte-me. Estou cá para partilhar a minha experiência e confiança consigo.