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BMW 635d – Um GT movido a “d”inamite

BMW 635d – Um GT movido a “d”inamite

Após 14 anos desde o cessar da produção do seu último antepassado, eis que a BMW decidia ressuscitar em 2003 uma gama que já muitos julgavam morta e enterrada. Qual Fénix, a segunda geração da Série 6 renascia das cinzas e chegava ao mercado envergando os traços inconfundíveis e por essa mesma razão discutíveis, do estilo de design implementado por Chris Bangle.

Controverso, polarizador e fracturante, esta geração da Série 6 denominada internamente de E63 para o coupé ou E64 para o cabrio, teve precisamente no seu desenho um dos principais pontos diferenciadores, porque apesar das opiniões se dividirem entre o soberbo e o esquisitóide, o importante era ser falado. E foi.

Especialmente quando em 2007 e após um ligeiro restyling, a BMW decidiu agitar novamente as águas no segmento dos carros denominados “Gran Turismo”, lançando então o 635d. Apesar de discreta, esta 4ª letra do alfabeto escrita em minúscula fez novamente franzir sobrolhos. Credo, seria isso caso para tanto? Claro! Porque esse “d” era de diesel mas também de discórdia, pois como todos sabiam, um GT digno desse título tinha obrigatoriamente um motor movido a gasolina.

Mas será que tinham razão?

Hoje sabemos que não, porque entretanto muitas são as marcas que enveredaram pelo mesmo caminho e a apetência do mercado veio validá-la. No entanto, vale sempre a pena recordar aquele que é considerado o pioneiro desta “filosofia herege” e relembrar o automóvel que contribuiu definitivamente para mudar o paradigma dos GT. 

Exterior
Antes sequer de falar das linhas, importa dizer que o Série 6 é definitivamente um automóvel com uma presença que se faz sentir, exalando uma inegável imponência aliada a uma aura de dinamismo que deixam adivinhar as suas pretensões desportivas, sem no entanto sê-lo genuinamente, algo que o seu porte pesadão faz questão de denunciar.

Com quase 5 metros de comprimento, é difícil não dar por ele e o curioso é que ainda hoje, passados 10 anos desde que foi lançado, este coupé ainda consegue fazer virar algumas cabeças por onde quer que passe.

As linhas vincadas dos flancos laterais, o longo capot com a frente arredondada e a traseira que….que…bom, é de facto aqui que o Série 6 torce literalmente o rabo. É talvez esta a zona mais sensível no que toca a reunir consensos. Mas veja-se a socialite Kim Kardashian, que sofrendo da mesma dificuldade no que a essa zona diz respeito, não se veio a dar nada mal na vida.

A cor Space Grey Metallic dá-lhe um ar nobre e distinto, que decisivamente ajuda a fazer sobressair as linhas vincadas da carroçaria o que, em conjunto com as impactantes jantes 19´ de 5 raios e a dupla saída de escape, completam um look exterior pautado pelo bom gosto e agressividade q.b. .

Interior
A bordo deste 635d impera a sumptuosidade e um ambiente de envolvência tal que damos por nós a desejar que qualquer que seja o nosso destino, ele fique pelo menos a mais de 200 quilómetros de distância. Os bancos têm nota positiva no tocante ao conforto proporcionado e, como não podia deixar de ser num automóvel desta gama, são em pele. Assim como todo o tablier, com a presença constante das linhas das costuras em torno do painel de instrumentos e do ecrã que serve o iDrive, este último da geração actualizada no ano do modelo aqui testado e que pretendeu corrigir principalmente algumas das falhas detectadas ao nível da facilidade de utilização/navegabilidade. Na nossa opinião, ficou efectivamente melhor, mas ainda assim algo longe do que seria ideal.

O volante tem uma pega firme mas suave ao toque, sendo este pertencente ao pack M, tendo por isso um design com vocação mais desportiva e integrando os já habituais botões de rádio, telemóvel e menu, mas também com as patilhas de selecção da caixa automática.

A consola central surpreendeu-nos pela frugalidade no que respeita a botões e manípulos, existindo apenas os comandos tradicionais da climatização e rádio. Se você é dos que gostam de uma consola estilo nave espacial, prepare-se para desapontar os seus irrequietos dedos. Para eles resta apenas a manete da caixa automática de 6 velocidades e o comando rotativo do anteriormente referido iDrive CIC.

Os bancos traseiros cumprem uma função mais decorativa que funcional, servindo apenas para curtas distâncias mas também curtas estaturas.

Motor&Economia
É sob o capot que se esconde o monstruoso coração diesel 3.0 de 6 cilindros com, não um, mas dois turbos. Uma conjugação capaz de catapultar com impressionante ímpeto os cerca de 1800kg do 635d em 6,1 segundos e alcançar com relativa facilidade os 250km/h limitados electronicamente.

Os 286 cavalos de potência são um número respeitoso mesmo para os dias de hoje, mas o que realmente impressiona é o binário de 580Nm, sendo que 95% estão disponíveis logo às 1500rpm. Isto significa exactamente o quê? Que o pedal do acelerador é na verdade um gatilho, proporcionando autênticos disparos que apenas esperávamos encontrar em modelos de pura vocação desportiva e, naturalmente, a gasolina.

E lá por ser a diesel, não quer dizer que a diversão tenha de acabar cedo. O ponteiro das rotações sobe de uma forma controlada e linear até muito para além das 4000rpm, chegando quase às 5000rpm antes da caixa automática dizer “Próximo!”.

O truque desta alma toda reside na dupla de turbos, um vocacionado para entrar em acção durante baixas rotações e que passa o testemunho ao outro quando se entra nas rotações mais elevadas.

Se receia que o matraquear do gasóleo estrague o ramalhete, não se preocupe, pois este até está bem disfarçado por uma afinação vocal grave proveniente do escape.

Mas toda esta pujança tem um preço e na hora de abastecer, a surpresa merece nota positiva, claro. Ou já se esqueceu que é um diesel? Não espere milagres, mas para as emoções que o 635d oferece, a factura a pagar está ao nível de uma pechincha digna de Black Friday. Numa utilização urbana prepare-se para andar a rondar os 10l/100, mas em estrada aberto e no seu habitat predilecto, pode mesmo alcançar os 5,5l/100 com alguma contenção.

Comportamento
O chassis deste 635d e, de todos os restantes modelos da Série 6, advêm de uma versão encurtada daquele utilizado na Série 5 E60 e como tal, herdou bons genes no que ao comportamento dinâmico diz respeito.

As oscilações da carroçaria são controladas e transmitem uma sensação de solidez e segurança que nos permitem ganhar a confiança necessária para explorar o potencial da unidade motriz, sendo possível soltar a traseira com um pouco de acelerador para corrigir qualquer trajectória.

As suspensões filtram a grande maioria dos ressaltos provenientes do asfalto e só não vão mais longe porque as jantes 19 com os pneus Runflat não deixam.

Conclusão
O BMW 635d foi um automóvel lançado com uma árdua missão a cumprir, provar que para fazer parte do selecto clube dos GT não era forçosamente necessário apreciar champanhe sem chumbo. As prestações falam por si, tanto em performance como em consumo, o que a par da sua imagem disruptiva fazem dele um mix difícil de resistir até mesmo durante os dias de hoje…isto é, se não tiver medo dos 700€ de imposto de selo que terá de desembolsar.

Será que compensa? Numa palavra, “d”efinitivamente, mas apenas se encontrar um exemplar usado que, como este, reúna os padrões de qualidade BMW e para isso recomendamos que não deixe de consultar as ofertas disponíveis junto de um concessionário oficial.

Agradecimentos:
Anibal Carvalho & Filhos – Concessionário Oficial BMW

BMW 635d (E63) – 2009

 

Preço NOVO (versão base)

102.500€

Preço NOVO (versão ensaiada)

112.200€

Preço USADO

27.000€ a 45.000€

Dados Técnicos do Fabricante

 

Combustível

Gasóleo

Nº Cilindros

6

Cilindrada

2996 cm.

Potência

286cv (213kW)

Caixa de Velocidades

Automática 6 Velocidades

Aceleração 0-100

6,3 seg

Velocidade Máx.

250 km/h (lim.)

Tracção

Traseira

Consumo Combustível

 

Urbano

9,2 l/100

Extra-Urbano

6,9 l/100

#thecaradviser

 

About the Author

Sou consultor automóvel e piloto de testes para muitos dos Ensaios TCA. Pelas minhas mãos já passaram muitas máquinas, por isso contacte-me. Estou cá para partilhar a minha experiência e confiança consigo.